1 dezembro 2023 – Expanded Translation

Entre as línguas maternas, avoengas e oficiais

A Looren América Latina reuniu criadoras e criadores literários no âmbito do projeto "Encruzilhadas: Brasil, Moçambique e Suíça" para investigar as conexões entre as "línguas maternas", as "línguas das avós" e as línguas oficiais. O evento online aconteceu no dia 10 de novembro de 2023. 

A cineasta Yara Costa reuniu alguns dos momentos mais interessantes neste vídeo:


Teresa Manjate iniciou sua apresentação falando sobre seu trabalho com os provérbios tsonga, encontrados tanto no sul de Moçambique quanto no norte da África do Sul. Após contextualizar sua pesquisa, destacou os desafios de compreender e traduzir esses provérbios, já que eles não representam uma cultura unitária e monolítica, mas envolvem contradições e, muitas vezes, ironia.

Adalberto Müller falou sobre sua trajetória pessoal como filho de pai alemão e mãe paraguaia falante de guarani. Quando criança, sua língua materna era o português, e mais tarde, como intelectual, passou de uma ligação com as culturas europeias a um reencontro com o guarani de sua mãe. Nos últimos anos, tem produzido sua própria literatura numa mistura mais ampla de português, espanhol e guarani. Ao mesmo tempo, começou a traduzir a partir do mbyá e do kaiowá. Seu pensamento envolve uma crítica ao eurocentrismo predominante na cultura brasileira e à preeminência da língua portuguesa.

Yara Costa falou sobre sua própria carreira como cineasta com foco em documentários. Sua língua materna é o português, e ela contou como, quando começou seu trabalho, tinha pouca consciência das línguas nativas com as quais trabalhava em Moçambique. Graças ao seu trabalho, ela passou a perceber como o conhecimento linguístico e tradutório ajuda a compreender as disposições culturais e corporais das pessoas. Em seu projeto intermídia mais recente, ela busca reunir o mar e a praia no espaço expositivo, refletindo a relação estreita que esses dois elementos têm para os trabalhadores da Ilha de Moçambique.

Por fim, André Capilé mostrou como é complexa a cultura do candomblé brasileiro, surgida do cruzamento de africanos escravizados de origens, línguas e culturas muito diferentes, que foram redefinidas ao longo da história e ainda vivem em resistência hoje. O caso é ainda mais complicado quando falamos das nações congo-angola, já que são menos reconhecidas e documentadas do que as fon e ioruba.


Organizado pela Looren América Latina e pela sobinfluencia edições. Com o apoio do Pro Helvetia na América do Sul, e sob os auspícios da Universidade Federal do Paraná, do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane e da Cátedra Lídia Jorge da Universidade de Genebra.